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SAIBA MAIS →Os ensaios in situ representam uma etapa fundamental na investigação geotécnica, fornecendo dados sobre o comportamento real do terreno em seu estado natural. Em Santa Maria, esta categoria abrange metodologias que avaliam parâmetros como capacidade de carga, deformabilidade e condutividade hidráulica diretamente no campo, evitando as limitações inerentes à coleta e transporte de amostras deformadas. A importância local se acentua pela heterogeneidade dos solos, que exige uma caracterização precisa para fundações seguras e econômicas.
A geologia de Santa Maria, situada na Depressão Central do Rio Grande do Sul, é marcada por formações sedimentares da Bacia do Paraná, com destaque para os arenitos e siltitos da Formação Santa Maria e Caturrita. Sobre essas rochas, desenvolvem-se extensos mantos de solos residuais e coluvionares, frequentemente com comportamento laterítico e colapsível. Essa condição local torna indispensável a execução de ensaios como o ensaio de placa de carga (PLT), que verifica a deformabilidade e a tensão admissível desses materiais porosos sob carregamento direto.
No contexto normativo brasileiro, a execução e interpretação dos ensaios in situ são regidas por normas da ABNT, com destaque para a NBR 6484 (Sondagens de simples reconhecimento com SPT) como ponto de partida, e normas específicas como a NBR 6489 para prova de carga em placa. Para a caracterização hidrogeológica, fundamental em obras com escavações ou barramentos, recorre-se a procedimentos padronizados que orientam os ensaios de permeabilidade in situ (Lefranc/Lugeon), garantindo a confiabilidade dos coeficientes de permeabilidade obtidos em maciços rochosos fraturados ou solos saturados.
Projetos de médio e grande porte em Santa Maria demandam rotineiramente esta categoria de trabalhos. Edificações comerciais e residenciais sobre solos colapsíveis, obras de infraestrutura viária como a duplicação de rodovias, e a implantação de galpões logísticos na região se beneficiam diretamente da investigação in situ. A determinação da real capacidade de suporte e do regime de fluxo subterrâneo impacta diretamente no dimensionamento de fundações profundas, contenções e sistemas de drenagem, mitigando riscos de recalques diferenciais e instabilizações.
Ensaios in situ avaliam o solo ou rocha em seu estado natural, preservando a estrutura, tensões de confinamento e umidade de campo, enquanto os ensaios de laboratório são realizados em amostras deformadas ou indeformadas. A vantagem do ensaio in situ é evitar o amolgamento da amostra, fornecendo parâmetros de deformabilidade e resistência mais representativos do maciço real.
São executados principalmente na fase de investigação geotécnica preliminar e complementar, antes do projeto executivo de fundações e contenções. Em Santa Maria, devido à presença de solos colapsíveis, é comum que ensaios específicos de carga e permeabilidade sejam realizados ainda na etapa de estudo de viabilidade para orientar a escolha do tipo de fundação mais adequada.
Sim, a norma brasileira NBR 6122 (Projeto e Execução de Fundações) exige investigação geotécnica compatível com o porte da obra. Para edificações acima de 1200 m² ou estruturas especiais, ensaios in situ que vão além da sondagem SPT, como prova de carga em placa ou ensaios de permeabilidade, tornam-se tecnicamente obrigatórios para validar as premissas de projeto.
A predominância de arenitos da Formação Santa Maria e solos residuais laterizados gera materiais porosos e potencialmente colapsíveis. Essa condição exige ensaios que simulem a condição de carregamento e saturação, como o ensaio de placa com pré-inundação, e ensaios de perda d'água sob pressão (Lugeon) no topo rochoso fraturado para avaliar a real condutividade hidráulica do maciço.