O solo residual de arenito da Formação Rosário do Sul, predominante em boa parte de Santa Maria, exige uma investigação que vá além da simples contagem de golpes. A transição entre a camada superficial argilo-arenosa e o substrato rochoso alterado costuma ser gradual, e é nessa faixa que as fundações diretas encontram mais incerteza. O ensaio CPT resolve essa questão com leituras contínuas de resistência de ponta e atrito lateral, permitindo identificar lentes de material mais compressível que um SPT espaçado poderia ignorar. Em uma cidade com topografia variada entre as coxilhas e as várzeas do Vacacaí, a densidade de dados que o cone eletrônico oferece muda o critério de dimensionamento.
Com o piezocone, medimos a poropressão durante o ensaio e corrigimos os parâmetros de resistência em tempo real, sem esperar laboratório.
Metodologia e escopo
A norma ABNT NBR 6484:2020 estabelece os procedimentos para execução de sondagens, mas o ensaio de cone complementa esses requisitos com uma taxonomia de solo baseada no comportamento mecânico, conforme Robertson et al. (1986) e as atualizações do manual do órgão rodoviário nacional. Em Santa Maria, utilizamos um penetrômetro com célula de carga dupla e sensor de pressão neutra, que registra a cada centímetro os parâmetros qc, fs e u2. Isso nos permite diferenciar argilas pré-adensadas na região do Bairro Camobi de siltes menos consolidados encontrados próximos à calha do rio.
Trabalhamos com taxa de penetração constante de 20 mm/s, seguindo as diretrizes da ABNT NBR 31204:2023 para piezocone. A calibração das células é verificada contra padrões rastreáveis antes de cada campanha, e nosso laboratório opera sob acreditação ISO 17025 para os ensaios correlatos de
granulometria que validam a classificação do perfil. Em terrenos onde a sismicidade induzida por reservatórios entra na avaliação de risco, os dados de CPT alimentam diretamente os modelos de
liquefação que aplicamos.
Contexto geotécnico local
A sonda CPT que operamos em Santa Maria é um equipamento de esteira com ancoragem hidráulica, projetada para tracionar as hastes contra o próprio peso do veículo. O sistema de aquisição digital registra dados a cada 10 milímetros, mas o risco operacional está na refusão: quando a ponteira encontra um matacão ou topo rochoso inclinado, a leitura de qc dispara e o operador precisa interromper imediatamente para não danificar a célula de carga. Em zonas de aterro antigo, comuns na expansão urbana sobre várzeas drenadas, a presença de entulho não mapeado é o cenário mais crítico. Nossa equipe trabalha com limite de segurança programado na central eletrônica para corte automático do avanço, e o técnico responsável monitora em tempo real o gráfico de resistência versus profundidade na cabine climatizada da sonda.